terça-feira, 4 de agosto de 2026

Histórias peregrinas — São José dos Campos

Lá vou eu com minhas contradições de novo. Como é que eu escrevo que São José dos Campos não me fascina, mas agora venho aqui contar histórias que me fascinam e uso a cidade como referência? Não vou nem tentar me justificar, deve ser falha de caráter mesmo. Não tem outra explicação. 

Mas... (e lá vou eu tentar me justificar — tá vendo? É contradição atrás de contradição!), mas... é que talvez essas histórias não sejam sobre a cidade. Assim como nas histórias de Belo Horizonte, essas histórias são sobre pessoas. Na verdade, não chegam nem a ser histórias, são apenas dois momentos curtos, mas bem significativos. Mas são sobre pessoas.

Nessas narrativas, vai ficar bem claro que, enquanto a cidade de São José dos Campos talvez não tenha me fascinado tanto, o mesmo não posso dizer das pessoas que encontrei por lá. Enfim, vamos aos dois momentos.

Vista panorâmica de São José dos Campos/SP, com prédios residenciais, avenida de múltiplas pistas e área verde ao redor.

Ambas aconteceram no mesmo dia e no mesmo local. Foi na Igreja Presbiteriana no Jardim Sul, no Dia das Mães. 

Naquela manhã, a igreja organizou um café da manhã especial de comemoração. Mesmo estando há pouco tempo na igreja, nós participamos e levamos nossa contribuição também. Foi aquela "santa muvuca". O salão cheio de gente, a mesa farta servida, todo mundo se confraternizando e aproveitando a comida boa.

Laryssa e eu sentamos numa mesa com uns amigos da igreja que tínhamos no dia anterior; depois juntaram mais uns, e mais alguns. De repente estávamos numa roda, conversando sobre amenidades e desfrutando da presença uns dos outros.

O pastor da igreja passeava no salão, fazendo a social. Cumprimentava as mães, as crianças, os homens, falava com todos. Seguindo seu itinerário, ele eventualmente chegou à nossa roda.

Nos cumprimentou, falou com todos e, de repente, percebeu que estávamos todos juntos, que a roda estava formada, e que todos ali pareciam muito à vontade. Ele sorriu e disse:

— Vocês se encontraram, né?

Eu olhei ao redor, vi os sorrisos, os jeitos, as personalidades únicas de cada um que estava ali. Me virei pro pastor e respondi:

— É — eu balancei a cabeça. — A gente se encontrou. 


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Naquele mesmo dia, à noite, depois do culto, houve uma segunda confraternização. É que o café da manhã havia sido tão abundante, que sobrou até pra um lanchinho pela noite.

Como certamente não havia sobrado tanto assim, os homens deixaram pra ir ao salão só depois que as mulheres e crianças tivessem ido também. Eu, particularmente, fui na certeza de que não teria sobrado muita coisa — e estava tudo bem.

Fiquei conversando com aquele povo acolhedor e finalmente desci para o salão. Lembro de ir à mesa dos quitutes e pegar algumas coisas. Mas de repente me vi perdido.

Nós havíamos chegado na igreja fazia umas duas semanas. Me deparei comigo mesmo parado, segurando um prato de comida, um copo de refrigerante, e sem saber pra onde ir, com quem falar. Olhei ao redor procurando a Laryssa e não a encontrei. Foi nesse momento que ouvi alguém falar:

— Gabriel, aqui!

Me virei e vi uma mesa, com aquele mesmo grupo de amigos. Eles estavam lá e a moça que me chamou apontou pra uma cadeira.

— Tem lugar pra você aqui — ela disse.

Eu me aproximei da mesa, e lá estavam eles e uma cadeira vazia. 
Eu sorri e sentei. 

Tinha lugar pra mim. 


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Enfim, foi o que falei. Se por um lado a cidade de São José dos Campos não me fascinou, eu certamente não posso dizer o mesmo das pessoas. E olha que esses relatos são só a ponta do iceberg, eles só começam a demonstrar como as pessoas daquela cidade são boas. 

Isso me fascina.

2 comentários

  1. Como a Igreja de Cristo é grande, amorosa e calorosa ❤️ Que alegria é viver o se "sentir em casa" no meio do povo de Deus.

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    1. Realmente é um grande privilégio e alegria! Muito obrigado pelo comentário, Pri!

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