#Introdução
É isso aí, minha gente! Depois de dois meses morando em Belo Horizonte, creio que estamos aptos a responder à pergunta do título desse post. E como sabem, gosto de ser bem direto.
Belo Horizonte é uma cidade boa para morar?
Não, não é.
Vem comigo que eu vou dizer o porquê.
#Pontos positivos
Olha, eu vou falar uma coisa aqui pra vocês. Nosso tempo em Belo Horizonte foi um verdadeiro aprendizado. Fomos ensinados por Deus a buscar as coisas boas onde estivermos, mesmo que tudo pareça ruim. Digo isso porque foi um pouco difícil apontar os pontos positivos da cidade.
Lembrando dos critérios que elencamos para escolher uma cidade, Belo Horizonte falha em quase todos eles. A única exceção é o clima.
Não posso negar que o clima aqui é bem agradável, talvez até mais do que em Brasília. Engraçado isso. O pessoal daqui acha Brasília "quente"! Mas é interessante notar que em Belo Horizonte pegamos temperaturas mais extremas que Brasília. Teve dia que fez 38ºC no horário de meio-dia. Mas, de modo geral, tivemos boas experiências com o clima.
Um ponto positivo que consigo tirar da estadia aqui é que descobrimos o que nós definitivamente não gostamos numa cidade. Parece besteira, mas isso é bem importante.
Quando começamos a viagem, tínhamos em mente o que queríamos, mas, até nos depararmos com algumas situações, ainda não era tão claro pra gente quais eram as coisas às quais diríamos: "Tá, isso aqui não tem como". É importante saber e estabelecer limites.
#Pontos negativos
Bom, vamos aqui ao que será o cerne desse post. Infelizmente são muitos pontos negativos, mas vou tentar agrupá-los de modo que não fique tão cansativo.
Pra começar, muito se fala que os mineiros são calorosos, afetivos, e, olha, talvez no interior de Minas Gerais isso até seja verdade. Mas em Belo Horizonte eu posso afirmar categoricamente que não são. Na verdade, Belo Horizonte é uma cidade marcada pela indiferença.
Na padaria, as atendentes não falam com você direito; no supermercado, elas nem levantam o rosto; na academia, a moça da recepção te ignora; no trânsito... ah... calma, que o trânsito vai ter uma seção própria.
Infelizmente, as pessoas não se importam com as outras, de modo geral. E isso acaba até respingando nas igrejas. Vemos igrejas presbiterianas marcadas pela indiferença, pela falta de acolhimento, pelo total descuido com os de fora. Um pastor até me contou uma triste história, que certa vez uma pessoa chegou pra ele e falou: "Eu gosto dessa igreja porque aqui ninguém fala comigo. Eu entro e vou embora, sem ninguém se meter na minha vida." Triste. Gente que não entendeu o que é ser igreja.
Isso não significa que não haja igrejas boas. Encontramos aqui a Igreja Presbiteriana Cidade Nova, que foi um bálsamo pra gente. São pessoas acolhedoras, que se importam com os outros, que vivem e pregam a boa palavra de Cristo. Mas ficou muito evidente pra nós que essa igreja é uma exceção, não a regra. Belo Horizonte sofre com a carência de boas igrejas.
E só mais um exemplo da indiferença: um irmão da igreja estava num parque com seus três filhos. Um dos filhos caiu, bateu a cabeça no chão e começou a sangrar. O pai se viu numa situação complicada, tendo de administrar duas crianças, enquanto socorria o outro com sangue saindo da cabeça. Ninguém o ajudou, ninguém se prontificou. Na verdade, alguns até ficaram apenas incomodados porque aquilo estava atrapalhando a diversão das outras crianças.
O trânsito, por sua vez, é a peça fundamental para todos os outros problemas de Belo Horizonte. É simplesmente um trânsito caótico, onde as pessoas não se respeitam, onde tudo vive engarrafado, onde sair pra passear é sempre estressante, porque você não sabe se vai sofrer um acidente ou não, se vai pegar uma rua alagada ou não, é sempre um grande esforço encarar a rua. A gente se sente preso.
Some-se a isso que a cidade não tem estacionamento. Não adianta você sair pra visitar um museu, porque quando você chegar lá, simplesmente não tem onde estacionar. Não é que não tem vaga. É que não tem onde parar o carro. Você vai precisar pegar um estacionamento privado distante que, por sua vez, também já corre o risco de estar cheio. Chega-se ao absurdo de ter carro, mas é preferível pegar Uber pra sair. Novamente, a liberdade diminui.
Precisamos falar também das ladeiras. No tempo todo em que estivemos aqui, a Laryssa não se sentiu segura para dirigir. E olha que ela dirige bem. Mas é que além do trânsito ser pesado, as faixas estreitas, ainda tem a questão das ladeiras, que torna tudo mais complicado. Não dá nem vontade de sair pra caminhar, tudo tem que ser feito de carro.
Mas vamos voltar pra nossa lista de critérios, vejam como o trânsito afeta. Belo Horizonte tem um bom acesso às artes? Não. Tem muita arte! Ah, se tem! Mas como se acessa? O acesso é sempre muito difícil, caro, e penoso. Pra ter uma ideia, o único ponto artístico onde encontramos estacionamento foi o Museu de Arte da Pampulha, fechado "temporariamente" para reforma desde 2019.
E dá um pouco de pena, sabe? Ouvir amigos queridos dizer que saem de casa às 6:30 da manhã pra chegar no trabalho às 9. Ou dizer que: "É só sair 40 minutos mais cedo que não pego trânsito!". Eu entendo que as pessoas se acostumam e sempre dão um jeito. Mas, meus amigos, isso não é jeito de viver. Pelo menos não pra gente.
Outro ponto da lista diretamente ligado ao trânsito: conectividade. Pra ter uma ideia, Belo Horizonte não tem aeroporto pra voos comerciais. Se você quiser chegar aqui, vai ter que pousar em Confins, que, como o nome já diz, fica bem distante da cidade. Sem exagero: leva pelo menos 1h de carro do centro até o aeroporto — sem trânsito!
Não vou comentar sobre a insegurança da cidade, sobre a população de moradores de rua que assusta até os locais, sobre a cidade ser toda pichada, suja, etc.; também não quero me deter nos alagamentos em dias de chuva que transformam ruas em rios. Quero finalizar essa seção falando de um tópico que nos surpreendeu: o custo de vida em Belo Horizonte é mais caro que em Brasília!
Pois é, minha gente. Basta ver a tabela de preços pra tirar as próprias conclusões. A única coisa mais barata aqui é a moradia, porque de fato se consegue apartamento maior em Belo Horizonte do que em Brasília, por preços até menores. Mas, de resto, é uma cidade cara. Nós evitamos sair e sempre fazemos mercado para cozinhar em casa: mas até isso estava ficando pesado financeiramente.
Veja, por exemplo, muito se fala da culinária mineira. Ela de fato é boa, mas quem disse que é todo mundo que consegue arcar? Por exemplo, você acha que todo lugar vai ter o famoso pão de queijo mineiro? Não é bem assim.
Uma padaria, por exemplo, não vai gastar pra fazer um pão de queijo do zero, ela vai pegar os congelados que são mais baratos e colocar pra assar aos montes. Se encontra muito pão de queijo e é bem comum? Sim, mas não são os famosos. Esses são mais caros e só encontrados em lugares seletos. A comida, de modo geral, é muito parecida com a que encontramos em outros lugares do Brasil.
#Conclusão
Bom, meu povo. O que dizer mais, não é? Evidente que ficamos desapontados com nosso tempo aqui. A única coisa que nos deu ânimo foi encontrar algumas pessoas que fizeram nosso tempo valer a pena. Pra terem uma ideia, depois de um mês aqui, eu já tava até pensando em ir embora. Foi só quando visitamos uns amigos e encontramos a igreja que deu vontade de continuar.
Fomos honestos com as pessoas que moram aqui, e muitas delas tiveram que concordar com as nossas objeções. Alguns ainda tentaram argumentar, que o bom mesmo é passear no interior de Minas Gerais. Olha, eu até entendo; mas se pra curtir Belo Horizonte eu na verdade tenho que sair de Belo Horizonte... acho que isso fala mais contra do que a favor da cidade.
Enfim, vamos em frente. Aprendemos muito sobre viver numa cidade, sobre a importância do acolhimento, sobre valorizar as coisas simples da vida. Em tudo damos graças a Deus, porque sabemos que ele está guiando nossa história e nos ensinando.
Obrigado por acompanhar nossa jornada! Se quiser ver o que escrevemos sobre as cidades onde já passamos, está no final dessa página: Lista de cidades.
Nosso próximo capítulo é São José dos Campos.
Até lá!






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