Seguindo a série de histórias sobre coisas que me fascinam, a princípio, quem leu o que eu comentei sobre Belo Horizonte, talvez esteja até surpreso de eu mencionar a cidade aqui. A impressão pode até ser que vou comentar que BH me impactou negativamente, de ver a indiferença e o caos da cidade. Essas não são histórias que fascinam. Elas assustam, é diferente. Mas não é disso que quero falar.
Belo Horizonte me trouxe duas histórias curtas, mas interessantes. Ouvi-as de dois pastores de igrejas diferentes, mas ambas impactantes o suficiente para ficarem marcadas na memória. Vamos a elas.
#Pastor 1
Na verdade, essa história nem é sobre o pastor, mas foi ele quem contou.
O pastor conta que há algumas décadas, ele se mudou para Belo Horizonte a fim de cursar o seminário presbiteriano da cidade. Ser seminarista não é coisa fácil. É depender do sustento dos presbitérios e das igrejas para tentar se manter, enquanto segue uma rotina de estudos muito intensa, isso sem falar dos deveres que têm com as igrejas locais e as famílias.
Por causa disso, o pastor conta que o sustento que ele tinha permitiu que ele se mudasse do interior para a capital e alugasse um apartamento num bairro bem distante do centro. Foi só quando ele chegou lá que descobriu que se tratava de uma favela.
Ele foi na frente, carregando boa parte das coisas, e ficou aguardando a esposa chegar do interior com o resto da mudança.
Passado algum tempo, a digníssima saiu do interior, levada por seu irmão, cunhado do pastor. Eles seguiram rumo a BH e, chegando lá, ela passou o endereço onde deveria ser deixada para morar. Quanto mais o irmão dirigia, mais ele via o estado deplorável daquele bairro, mais ele se preocupava com onde estava deixando sua irmã.
A casa onde ela moraria era uma casa de um ou dois cômodos, teto baixo com telha de amianto, banheiro do lado de fora da casa. O irmão viu aquilo tudo e ficou horrorizado. Ele engatou a marcha ré.
— Você não vai ficar aqui de jeito nenhum!
A esposa olhou para ele como uma fera e disse para ele, resoluta, apontando para a casa:
— Meu marido está aí. Você vai me deixar aqui sim, porque eu vou morar com ele. Se é aqui que meu marido está, é aqui que eu vou ficar.
E lá ela ficou.
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#Pastor 2
Essa é curta, mas bem marcante. O pastor contou-a no púlpito.
Ele pregava sobre a importância de dar glórias a Deus em todas as situações. Se damos glória só nos momentos alegres, bom, até os incrédulos se alegram e são capazes de comemorar os bons momentos. Mas e os maus? Neles, Deus também está no controle e continua cuidando de nós, apesar de quaisquer circunstâncias. E ele contou uma história pra ilustrar o ponto.
Ele perdeu a mãe cedo, na adolescência, salvo engano. E ele lembra do dia em que isso aconteceu. Eles estavam em casa e receberam uma ligação do hospital. A mãe estava internada por algum motivo que não lembro agora. Só sei que eles foram pra lá.
Assim que chegaram, o médico chamou o pai do pastor para conversar, mas ele pediu para que falasse logo. O médico, todo cheio de modos, precisou contar que a esposa dele havia falecido. O médico precisou contar pro pai que a mãe das crianças havia partido.
Assim que o pai recebeu a notícia, a primeira coisa que fez, naquele momento de extrema dor e luto, foi dar glórias a Deus pela vida da esposa e por todos os momentos que passaram juntos, pela vida dela e porque Deus tinha cuidado dela até o fim.
O pai deu glórias a Deus.
E o médico chorou.
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Eis algumas das histórias que me inspiram. Histórias simples, ouvidas quase por acaso, mas que permanecem na memória muito depois que a viagem termina. Talvez seja justamente isso que procuro quando conheço uma cidade nova: não os prédios, nem os monumentos, mas as pessoas e as histórias que elas carregam.

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