sexta-feira, 6 de março de 2026

Brasília é uma cidade boa para morar?

#Introdução


Bom, depois de dois meses morando no Distrito Federal — um mês em Águas Claras e outro no Plano Piloto — talvez seja possível responder à pergunta, pelo menos de modo superficial. Nesse post vamos destacar alguns pontos positivos e negativos da nossa experiência vivendo em Brasília. 

Pra quem não quer esperar até o fim pra ver a resposta, é o seguinte: Brasília é uma cidade boa para se morar? Se você tiver dinheiro, sim.

Vista do Congresso Nacional, no Plano Piloto em Brasília durante a estadia.

#Pontos positivos


Acho que a primeira coisa que salta aos olhos quando se visita Brasília é como a cidade é organizada. Sério, é um absurdo. Brasília é um exemplo vivo do que o brasileiro seria capaz de fazer se fosse só um pouquinho mais focado e resolvesse fazer a coisa do jeito certo. 

O urbanismo dela não é perfeito, evidente — afinal de contas, ainda é Brasil. Mas a malha viária é excelente, o trânsito, mesmo sendo pesado, acaba fluindo. Além disso, pelo menos no Plano, a cidade que tinha tudo pra ser só concreto acaba sendo muito bem arborizada. 

Ficamos hospedados no setor Sudoeste e, meu Deus, como é agradável sair pra caminhar no Plano. Dá gosto de ver as árvores balançando, de sentir o vento fresquinho no rosto, de encontrar amigos e sair pra comer. Nesse ponto, não há dúvida, Brasília é muito boa para se morar.

Mas calma que me perdi um pouco no meu devaneio. O melhor jeito de avaliar a cidade é usando os critérios que elencamos no começo dessa jornada.

Sobre o clima, Brasília está no limite. É quase sempre bem agradável durante a noite, mas durante o dia pode fazer um calor que incomoda. Chegamos a ver 35º C — nossa, que absurdo! (Contém ironia. Basta ver nosso comentário sobre o clima de Boa Vista/RR). 

Brincadeiras à parte, o clima é bem agradável. Mesmo quando fica quente durante o dia, à noite dá uma amenizada. Mas o povo local disse que tem épocas em que fica ainda mais quente. Bom, isso é algo a se considerar, com certeza. Nesse quesito, diria que o clima fica numa categoria neutra.

A conectividade de Brasília também é bem interessante. É um dos poucos aeroportos no Brasil que têm voos diretos para todas as capitais, além de oferecer rotas internacionais. Por outro lado, achamos os arredores do DF um pouco esvaziados. Vou comentar isso na segunda parte do post.

Por outro lado, o acesso às artes compensa demais. É impressionante ver como tudo ali orbita em torno de Brasília. Tivemos a oportunidade de ver um autêntico show de MPB na Asa Norte, passear pelo Centro Cultural do Banco do Brasil (que funciona como um museu, com várias exposições), e contemplar a arquitetura de Oscar Niemeyer. 

Olha, eu nem sou tanto da arquitetura, mas é que passear na Esplanada dos Ministérios e contemplar aqueles prédios, é algo fenomenal. Como se não fosse suficiente, passear ainda na Ermida Dom Bosco foi um presente à parte, um lugar que traz e orna a beleza da natureza de Brasília. 

Meu único porém no acesso às artes, é que é muito difícil conseguir assistir à Orquestra do Teatro Nacional. Os ingressos até são gratuitos, mas eles se apresentam apenas uma vez ao mês e os ingressos esgotam rápido demais, não temos nem chance de conseguir. Pra um lugar que se propõe tão artístico, achei a música erudita, no mínimo, um pouco seleta demais.

Um último ponto aqui, não elencado antes, mas que merece destaque, é a segurança em Brasília. Em Águas Claras muito mais, porém até no Plano ainda se vê um nível de segurança muito impressionante. As pessoas andam com celular na rua, caminham até tarde da noite, e até deixam carro na rua sem problemas.

Pra se ter uma ideia, no tempo inteiro que ficamos no Sudoeste, nosso carro ficou estacionado na rua (o prédio não tinha garagem) e não tivemos problema nenhum. E não só nós, como todos os outros moradores. 

Nem todo lugar em Brasília é seguro. Quanto mais se afasta do Plano, mais perigoso fica (até mesmo com favelas nas regiões mais distantes); e mesmo o Plano tem algumas áreas que são mais inseguras (como parte da Asa Norte). Porém, mesmo com tudo isso, é gritante como Brasília é uma cidade segura de modo geral.

Copa das árvores no Plano Piloto, mostrando a arborização característica de Brasília.

#Pontos negativos


Bom, vamos começar pelo mais gritante deles: o custo de vida em Brasília. Engraçado que falo isso, mas, de modo geral, o custo de vida é até mais barato que Boa Vista/RR, basta dar uma olhada de relance na Tabela comparativa. Energia elétrica, gasolina, hortifruti, praticamente tudo é mais barato do que em Boa Vista. 

O problema mesmo são dois. Primeiro, a moradia. Gente, é impressionante como tudo em Brasília é bem apertadinho. Até os apartamentos mais espaçosos, ainda se vê a mentalidade de economia de espaço. 

Por um lado, isso é bom, por outro, assusta pagar tão caro em um apartamento tão pequeno! Morar em Águas Claras já era caro, no Plano então, vish!, morar bem é uma fortuna. E, do meu ponto de vista, nem vale tanto a pena assim, a não ser que você trabalhe no Plano.

Digo isso porque se for pra gastar mais de meio milhão num apartamento, prefiro comprar um em Águas Claras, onde tudo é mais novo, o prédio já vem com academia, piscina, portaria e tudo o mais. Pra quem trabalha online, como eu, faz muito pouco sentido pagar caro para morar no Plano quando se tem a opção de um lugar com mais conforto. 

O outro ponto negativo do custo de vida é aquilo que já falei no post de Águas Claras: tudo é muito gourmetizado. Não existe mais padaria de bairro, não existe mais academia de bairro, não existe mais o cachorro-quente da esquina. Tudo é preço de loja. E os preços de loja são preços de boutiques. Sair pra comer, de modo geral, é bem caro.

Sobre os arredores, nos parece que tudo gira tanto em torno do Distrito Federal, que sobram poucas opções. Quero dizer, o interior do Goiás é bonito e especialmente bom para passeios que visam o turismo ecológico. Mas é que, como já dissemos em post anterior, esse definitivamente não é o nosso estilo de turismo. Então se for pra ir de carro, me senti sem muitas opções.

Outro ponto que merece atenção é que, enquanto o urbanismo da cidade é um marco do que o brasileiro é capaz de fazer com a organização, ao mesmo tempo ele peca por esquecer, de modo geral, do pedestre.

Brasília é uma cidade pra se andar de carro, não tem como. Quem está em Águas Claras consegue viver uma exceção, onde dá pra fazer tudo a pé. Mas no Plano, mesmo que seja organizado, as distâncias permanecem. E distâncias essas que só com carro mesmo. 

Sem exagero: trajetos que são 7 minutos de carro, podem ser quase 1 hora a pé! Quem não tem carro ou depende do transporte público em Brasília sofre. Infelizmente é uma cidade pensada para carros, com uma malha viária sensacional, mas com poucas boas opções para pedestres.

Casal ao lado do letreiro “Eu amo Brasília”, simbolizando a experiência de morar na capital federal.

#Conclusão

Faltou um ponto a se comentar, que deixei para o final de propósito. Um critério que julgamos essencial, que inclusive é o primeiro critério da lista: que a cidade tenha boas Igrejas Presbiterianas do Brasil. E sim, Brasília as tem.

Mas vou ser honesto aqui com vocês, que Brasília talvez tenha até IPBs demais. Demais a ponto de vermos algumas coisas que nos deixam com um pé atrás. De nos fazer pensar até onde algumas comunidades podem ir e ainda serem chamadas de "presbiterianas".

Isso não quer dizer, claro, que não tenhamos encontrado boas IPBs. Nossa, e como encontramos. Enquanto em Águas Claras, congregamos na 1ª Igreja Presbiteriana de Taguatinga (coisa de 15min de distância). Toda vez que voltávamos da igreja, olhávamos um para o outro e dizíamos: "Será que ainda precisamos continuar? Porque aqui é tão bom, que talvez já dê pra ficar."

No período em que estivemos no Plano, frequentamos a Igreja Presbiteriana do Sudoeste. Uma igreja pequena, mas tão tão acolhedora, que nos deu pena dizer tchau. Uma comunidade que nos faz ter vontade de voltar e morar lá.

Nenhuma dessas igrejas é perfeita, nenhuma de fato será. Mas as duas têm algo que faz diferença: as pessoas. E essa é a verdadeira conclusão que tiramos de Brasília, que vai além das pessoas que conhecemos nas igrejas.

Em Brasília nós temos amigos. Gente que se importa com a gente, que faz questão de estar perto. Gente pelas quais nós nos importamos, gente a quem não apenas queremos bem, mas queremos fazer de tudo ao nosso alcance para que vivam bem. Gente que nós amamos. 

Se em todo lugar a que formos encontrarmos pessoas assim, então essa viagem vai ser muito mais difícil do que imaginávamos. Brasília, apesar de todos os seus custos e poréns, ainda é uma cidade que está no páreo, uma cidade que dá vontade de voltar e morar.

Brasília, nós gostamos bastante de você. 
Quem sabe o que Deus tem preparado para nossa história?

sábado, 31 de janeiro de 2026

Morando em Brasília — Águas Claras

Brasília e o Distrito Federal

Bom, vamos lá, meu povo. No meu primeiro post sobre Boa Vista, disse que não faria uma exposição enciclopédica da cidade... mas meio que vou ter que fazer isso aqui, porque Brasília é um caso meio único para quem pensa em mudar de cidade. É que não estamos num estado, mas no Distrito Federal.

Ilustração do Distrito Federal, conhecido como “quadradinho”, localizado no estado de Goiás.

A primeira coisa a se entender é que o Distrito Federal não é um estado, mas um pedaço de território no meio do Goiás. Aliás, eu não sabia, mas o pessoal aqui costuma se referir ao DF como o "quadradinho do Goiás"! Achei isso bem curioso. Ele não é um município de Goiás, mas um território próprio, dividido em Regiões Administrativas (RAs) — e é aqui que entra o pulo do gato.

Se pensarmos no DF como um estado, as RAs seriam os municípios. O DF elege um governador, mas não tem prefeitos. O governador é quem aponta os administradores de cada região. 

Falando assim, parece que são cidades diferentes, com contextos diferentes; mas, na prática, é tudo uma coisa só. Brasília, no caso, é parte da Região Administrativa chamada "Plano Piloto".

Mapa das Regiões Administrativas do Distrito Federal, mostrando Águas Claras.

Achei necessário explicar tudo isso porque na lista que fizemos das cidades que vamos visitar, elencamos "Brasília". Então como é que agora estou escrevendo um post sobre "Águas Claras"? É que, na verdade, meio que está tudo ligado. Logo, nós estamos em Brasília, mas não exatamente. Mês que vem estaremos lá. Por enquanto, vamos falar um pouco sobre Águas Claras.

Águas Claras


Como já dito, Águas Claras é uma das RAs que compõem o Distrito Federal. É uma região de muitos prédios, condomínios bonitos, shoppings, parques, tudo muito novo e, segundo me contaram, fruto de especulação imobiliária no passado. 

Em Águas Claras fica a residência oficial do Governador do DF. Engraçado isso. No post sobre morar em Boa Vista, comentei que a prefeita morava no bairro em que eu estava. Parece que só gosto de estar onde ficam as autoridades. 

De muitas formas, Águas Claras parece São Paulo no quesito vida urbana. É uma cidade extremamente vertical. Se olharmos no mapa, dá pra ver que a cidade não é extensa, parece até um bairro de uma cidade comum. Mas quando olhamos ao redor, nos deparamos com muitos prédios e todos eles cheios de moradores.

Vista urbana de Águas Claras, região administrativa de Brasília, com prédios residenciais.

Pontos positivos

Ah, gente. É um pouco difícil não se apaixonar por Águas Claras. Muito embora eu deva admitir que o primeiro ponto que quero trazer não tem tanto a ver com a cidade, mas com a região: o clima. Como falei em outro post, são as nossas experiências que, muitas vezes, vão determinar a nossa percepção da cidade. E, muitas vezes, essas experiências ocorrem por coisas totalmente fora do nosso controle. 

Digo tudo isso porque, quando chegamos na cidade, estava chovendo. De repente a umidade relativa do ar estava parecida com o que estávamos acostumados. Além disso, tivemos a grata surpresa de termos temperaturas que chegaram aos 17º C, do privilégio de dormir sem ventilador ou ar-condicionado, de olhar pela janela e ouvir a chuva caindo, as árvores balançando... 

É de respirar fundo e pensar... nossa... como seria morar num lugar assim?

Outra coisa é o urbanismo que a cidade tem. Explico: uma cidade cheia de prédios, com comércios, estacionamentos, etc., tinha tudo para ser uma selva de pedra. Mas não é o caso. Águas Claras é recheada de parques, é muito bem arborizada, os espaços verdes estão sempre próximos. É um lugar que dá vontade de caminhar, de dar uma volta na praça, de ir bem ali ver o que tem por lá.

É bom olhar pela janela do prédio e ver a cidade à distância. Dá gosto contemplar o céu, a chuva, sentir a brisa entrando pela janela, ver os carros passando nas ruas. Dá gosto simplesmente apreciar a cidade. Ah! Me surpreendeu a cidade ter tanta gente, mas mesmo assim ser calma. Não é barulhenta, dá pra trabalhar durante o dia tranquilo. Nesse quesito, nem parece ser uma grande cidade.

Além disso, descobri que tenho um fascínio por prédios. Acho-os imponentes, curiosos, com um quê de majestosos. Me impressiona passar ao lado deles e olhar pra cima até dar uma pequena vertigem. E o que eu mais gosto: ver os prédios à noite, cada janelinha com uma luz acesa, e imaginar que cada luz daquela é uma vida, uma história, uma pessoa tão complexa como eu e talvez ainda mais interessante. Não há nada mais fascinante pra mim do que a própria vida, a verdadeira magia deste mundo.

Vista de Águas Claras durante a estadia, mostrando o cotidiano da região.

Já que falei do prédio, vale a pena falar do condomínio em que nós ficamos. Novamente na categoria "coisas que estão meio fora do nosso controle", mas ainda assim usufruímos: duas piscinas, academia, lavanderia, dois espaços de festa com churrasqueira, sala de reuniões, espaço para co-working, vaga no estacionamento coberto, calibrador de pneu no estacionamento, e isso tudo sem falar na localização excelente, bem ao lado do Teatro da Caesb. É de respirar fundo e pensar... nossa... como seria morar num lugar assim?

Dois últimos pontos antes de finalizar essa seção. Um, é que a conectividade de Águas Claras dentro do Distrito Federal é muito boa. Quero dizer que ela está próxima de tudo. Não só a cidade tem de tudo um pouco, mas também está do lado de Taguatinga (uma cidade super comercial por excelência) e do lado do Plano Piloto, onde se tem acesso a muita coisa, além do aeroporto. Essa localização estratégica se provou ser bem útil em mais de uma ocasião.

O outro, é que chegamos à conclusão de que, se decidirmos morar em Águas Claras, teremos boas igrejas nos arredores onde valeria a pena congregar. Nesse mês, fomos quase todas as vezes à 1ª Igreja Presbiteriana de Taguatinga e tivemos bons momentos com os irmãos ali.

Pontos negativos


Bom, falando do que não gostei, acho que a primeira coisa seria o trânsito. Isso não nos afetou tanto porque trabalho de casa e saímos só pra ir à igreja, supermercado ou passear; mas é consenso entre moradores e habitantes da região de que o trânsito de Águas Claras não é dos melhores.

Acontece o seguinte, Águas Claras tem duas vias principais de escoamento, cada uma com três faixas... e é só. Imagine que cada prédio desse tem uns 20 andares, com 5 apartamentos em cada andar. Considere também que talvez alguns desses apartamentos tenham mais de um carro. 

Agora junte tudo isso na seguinte equação: todo mundo tem que sair às 7 da manhã pra chegar no trabalho — ao mesmo tempo. Quando chove, então é que o negócio pega, porque o trânsito que já é meio lento fica mais lento ainda. Peguei um Uber uma vez que disse que, quando começa a chover, ele já roda pra Águas Claras, porque o valor da corrida sempre fica mais caro. 

Coloquei o custo de vida nessa categoria, mas na verdade eu deveria considerá-lo como neutro. É que tem coisas que são mais caras e outras que são mais baratas, aí depende bastante do consumo. 

Por um lado, os aluguéis e condomínios são razoáveis (pelo menos quando comparados com Boa Vista); por outro, sair pra comer em qualquer lugar sempre é bem caro. Por um lado, os custos de hortifruti são melhores; mas as proteínas são mais caras. Por um lado, consigo pedir coisas da internet a um preço muito barato e receber em dois dias; por outro, não consigo ir numa padaria que não seja gourmetizada e cara.

No geral, eu diria na verdade que o custo de vida aqui é mais barato que em Boa Vista. Primeiro que a conta de energia fica bem mais em conta. Segundo que enquanto a gasolina em Boa Vista estava R$ 6,70 quando saí, em Águas Claras eu paguei R$ 5,49 e R$ 5,99. Terceiro que o acesso a produtos na internet com frete grátis ou baixíssimo abre muito os horizontes.

A quem interessar, nossa tabela de custos está atualizada com os valores de Águas Claras.

Por fim, embora tenhamos encontrado um condomínio sensacional, creio que não tivemos a melhor das experiências com o apartamento. A Laryssa sentiu bastante dificuldade na ambientação, especialmente de uma cozinha pequena. Mas isso nós entendemos que foi uma exceção, porque foi o apartamento que conseguimos considerando a correria que foi sair de Boa Vista. Se tudo sair conforme o plano, os apartamentos nas próximas cidades terão mais espaço.

Foto da porta do apartamento em Águas Claras (DF)

Morando em Águas Claras


Enfim, creio que fica bem evidente que gostamos de Águas Claras. Mas será ela uma boa cidade para morar? Vou ponderar sobre isso apenas no fim da nossa estadia em Brasília, considerando também nossa experiência no Plano Piloto. 

Isso que nem falei do acesso à arte. É que embora Águas Claras tenha um teatro, escolas de música, dança, de teatro mesmo, etc, não chegamos a usufruir de nada diretamente na cidade. Na vez que fomos a um show de MPB ou a uma exposição no museu, ambas foram no Plano, apenas nos beneficiamos da conectividade que mencionei acima. 

Quem sabe o que o futuro nos aguarda? Acompanhe essa jornada que está só começando!
Ah, e se tiver interesse, toda sexta-feira eu posto fotos e vídeos da semana no nosso grupo de WhatsApp. Obrigado por todo o apoio!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Morando em Boa Vista/RR

Não sei se vou conseguir fazer diversos posts sobre as cidades. Afinal, dois meses é muito pouco para se conhecer um lugar de verdade (embora seja exatamente isso que faremos para escolher uma nova cidade para morar no Brasil rsrsrs). Boa Vista, porém, é um pouco diferente. 

Não só já fiz um post sobre Boa Vista e minha impressão geral sobre a cidade, mas, tendo morado quase minha vida inteira na cidade, posso tecer um ou outro comentário a mais sobre o local. Decidi fazer isso contando como foi viver em dois bairros da cidade; um mais ou menos central, de classe média, eu diria; e outro, um subúrbio planejado nas extremidades da cidade.

vista aérea do centro de Boa Vista, Roraima

#Mecejana


Nasci e cresci no Mecejana. Um bairro residencial adjacente ao centro da cidade. Foi nele que dei meus primeiros passos, que aprendi a explorar o mundo, que comecei a apreciar as coisas boas de Boa Vista. Quando a gente é criança, tudo tem um gosto diferente. De brincar na rua, de subir no pé de goiabeira, de passear de bicicleta no Parque Anauá. 

Na adolescência, comecei a ir além do bairro e entender as vantagens de se estar próximo ao Centro de Boa Vista. Por exemplo, era com frequência que eu ia de bicicleta para a Biblioteca Pública, o lugar que despertou meu gosto pela leitura. Gostava de passear pelo Centro também, apreciar a beleza do projeto urbanístico radial, de passear debaixo das árvores e sentir o alívio que elas proporcionavam. 

O Centro de Boa Vista realmente tem uns lugares bem diferentes, umas ilhas de beleza no meio do caos do calor e do trânsito. Tem uma sumaúma enorme que eu gostava de admirar. Verdade seja dita, meu amor por árvores veio de apreciar as árvores de Boa Vista. E tudo isso eu conseguia admirar porque o Mecejana era próximo e me proporcionava um bom acesso.

No início da vida adulta, consegui fazer cursinho no Centro, trabalhar no Canarinho e estudar na UFRR, tudo a poucos minutos de distância. Como dá pra ver, o Mecejana em si é realmente um bairro residencial, com alguns supermercados, padarias e farmácias; mas a vida mesmo acontece fora dele. É um ponto bem estratégico e confortável em Boa Vista. 

De modo geral, o bairro é tranquilo, mas já não é tão seguro quanto costumava ser. Alguns anos antes de me mudar, entraram na casa dos meus pais e fizeram uma limpa. E o pior: com minha irmã dentro e sozinha. Infelizmente, Boa Vista de modo geral já não é mais tão segura. Embora valha a pena citar que esse foi um único incidente em mais de 30 anos em que meus pais moram no bairro.

mapa com os bairros de Boa Vista, Roraima

#Cidade Satélite


Quando casamos, rodamos Boa Vista atrás de um lugar para morar. Eu não ganhava o suficiente pra morar num bairro nobre ou mesmo perto do Centro. Restaram algumas opções nas periferias; mas quando eu vi o Cidade Satélite, já sabia que era ali que iríamos morar.

As pessoas dizem, acertadamente, que o Cidade Satélite é uma miniatura de Boa Vista dentro da própria cidade. É um bairro que tem tudo: supermercado, posto de gasolina, farmácia, lanches, praças, academias, lojas e até um posto de saúde próprio. É o tipo de lugar de que você só precisa sair mesmo para trabalhar.

Trata-se de um dos pouquíssimos e raros bairros planejados de Boa Vista. As ruas têm esgoto, o meio-fio tem florzinha plantada, a iluminação está sempre em dia e o asfalto é bem cuidado. Talvez (e apenas talvez) o fato de que a ex-prefeita more no fim do bairro tenha alguma influência nisso. Mas talvez apenas. Estou só conjecturando.

O Cidade Satélite representa uma nova etapa da nossa vida. Logo depois que casamos, nos mudamos para o Satélite e não saímos mais (até agora). Foram dez anos ali, apreciando o pôr do sol nas ruas amplas, frequentando academia, saindo pra tomar sorvete depois de um passeio na praça. Dez anos com bons vizinhos, onde crianças brincam nas ruas e o dono do churrasquinho da esquina já conhece a gente e já sabe nosso pedido favorito. O Satélite é uma espécie de sonho idílico no meio da loucura de Boa Vista. Um refúgio suburbano na zona da cidade onde praticamente todos os outros bairros são frutos de invasão. 

Creio que o único defeito do bairro (me perdoem por falar assim), foi a construção de um conjunto habitacional bem no fim dele, o famoso Vila Jardim. A prefeitura decidiu por remover uma "favela" próxima a um bairro nobre de Boa Vista e mover todo mundo para o Vila. Aí deu no que deu. Nossa casa foi assaltada duas vezes (em 2017 e 2018); mas depois que instalaram um batalhão da polícia no complexo do Vila, nunca mais tivemos problemas. 

Depois que nos mudamos pro Satélite, coisa rara era ir ao Centro para resolver alguma coisa. Se o bairro não tinha, as redondezas se desenvolveram tanto nos últimos anos que tínhamos tudo perto. Até o maior shopping da cidade estava perto. Honestamente, depois que passei a trabalhar remotamente, só saía do bairro para ir à igreja. Se um dia voltarmos, vou batalhar para abrimos uma congregação presbiteriana no bairro e aí não saio mais dele pra nada.

Um último adendo: eu trabalho de casa. Muita gente talvez não goste do Satélite porque ele está mais longe do Centro ou dos seus locais de trabalho. O bairro em si é muito bom, mas a dinâmica do dia a dia varia conforme a pessoa. Porém, vale ressaltar que em Boa Vista, "longe" é pegar 25 minutos de trânsito — o que, em qualquer outra capital, é o mesmo que morar do lado do trabalho. 

#Notas finais


Boa Vista, apesar de tudo, tem muito potencial para ser uma boa cidade para se morar. Não tenho como negar que vivi bons momentos nela. Foi o lugar que Deus me deu para nescer e crescer. Inegavelmente, é uma cidade que vai deixar saudade, e que eu não me importaria de visitar novamente no futuro. É muito possível dizer que se tem boa qualidade de vida em Boa Vista. Aliás, a cidade tem algo muito forte a seu favor: o céu e o pôr do sol. Acho que não conseguiria morar numa cidade que não tenha um pôr do sol bonito.

Enfim, essas foram algumas impressões que achei interessante registrar sobre a cidade, partindo, claro, do ponto de vista de quem teve uma experiência própria com a cidade. Me pergunto se as pessoas que moram em outros bairros talvez enxerguem uma Boa Vista bem diferente da que conheci. Não sei, mas ficaria curioso em descobrir.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Boa Vista/RR é uma cidade boa para morar?

Bom, a ideia desse post não é apresentar informações enciclopédicas sobre Boa Vista, capital de Roraima. Isso aí a Wikipédia já faz muito bem. Na verdade, este texto faz parte de uma jornada maior  onde minha esposa e eu visitamos cidades do Brasil para decidir onde viver.

O que quero aqui é apresentar a minha impressão sobre a cidade e como é viver em Boa Vista no dia a dia. Destaquei o termo na frase anterior, porque é preciso deixar bem claro que esta é a minha percepção — que pode ser bem diferente de outros moradores daqui. Toda opinião sobre uma cidade é influenciada pela sua moradia, sua renda, seus contatos, etc., então tenham isso em mente.

Sendo bem direto, acho que minha resposta deveria ser: em partes.

Vista aérea de Boa Vista, capital de Roraima

#Pontos positivos


Boa Vista tem a seu favor muitos fatores. O trânsito, por exemplo, deve ser um dos mais tranquilos de capitais do Brasil. É possível cruzar a cidade de ponta a ponta em uns 40 minutos. Isso não significa, porém, que seja dos mais seguros. 

O índice de acidentes e mortes no trânsito é desproporcionalmente alto. Não lembro qual foi o ano, mas uma vez Boa Vista ficou em primeiro lugar no índice de morte de motociclistas por acidentes de trânsito. Como Boa Vista tem um aspecto muito forte de cidade do interior, mesmo sendo capital, muita gente ainda dirige e se comporta como se estivesse dirigindo no interior. 

Embora tenha mudado bastante, Boa Vista ainda é um local seguro para se morar. As crianças brincam na rua, as pessoas saem pra caminhar com o celular na mão, via de regra, é possível ficar até altas horas na rua sem precisar ter medo. Tendo dito isso, todo mundo ainda tem cerca elétrica, sistema de alarme, câmeras, etc. Como falei, tem mudado, especialmente em bairros mais periféricos, mas ainda é bem melhor que a maioria das capitais. Haverá quem diga que piorou muito depois da migração venezuelana, mas não quero entrar nesse mérito.

Um ponto de que talvez muitos discordem é que, dentro do seu contexto, Boa Vista é uma cidade limpa. Há quem critique que as gestões municipais acostumaram o povo com uma higienização superficial da cidade sem resolver problemas maiores; mas tenho que concordar que a cidade é bonita, com algumas ruas largas na área central, enfeites de Natal e grandes festas trazem charme à cidade. 

Vou citar aqui os arredores da cidade, mas numa categoria neutra, porque isso tem mais a ver com Roraima do que com Boa Vista. Me refiro claro aos sítios, banhos, igarapés, e turismo ecológico de modo geral. Definitivamente não é o meu tipo e nem faço questão,  mas sei que pra alguns é a meta de vida em ter acesso a coisas assim tão perto da cidade (em 20-30 min você já tem acesso a muita coisa, sem falar das cidades vizinhas ou do Monte Roraima na Venezuela).

Cenário de Boa Vista ao entardecer

#Pontos negativos


Os pontos negativos pra mim são três. Primeiro, o clima. Enquanto pra alguns isso vai parecer besteira, pra mim tem se tornado um grande fator decisivo. Boa Vista é uma cidade que faz 30º às 7 da manhã (não é exagero). É uma cidade que às 7 da noite está 33º, que às 9 da noite desce pra 30º, e lá pelas duas da manhã oscila entre 28º e 29º. Isso sem falar meio-dia, quando saio da academia e o termômetro do carro está marcando 45º (em média oscila entre 43º e 47-49º).

Uma coisa que abriu nossos olhos é perceber como vivemos à mercê do ar-condicionado. Se me chamam pra ir numa pizzaria e não tem ar-condicionado, eu já hesito, porque sei que vai ser desconfortável. Nossa conta de energia é altíssima porque é simplesmente impossível você trabalhar de casa sem o ar-condicionado. Aqui é muito comum encontrar casas que não têm nem reboco, mas têm ar-condicionado.

Acho horrível não ter a liberdade de sair a pé às 9 da manhã sem arriscar uma insolação, de cancelar uma caminhada vespertina porque o dia está absurdo de quente e abafado. É bem verdade que no inverno (período de chuvas) a temperatura fica excelente. Se Boa Vista tivesse o ano todo aquela temperatura que tem naqueles 4 meses, eu não me mudaria. Infelizmente, não está nem perto de ser o caso. É triste ver como isso afeta a nossa qualidade de vida em Boa Vista.

O segundo ponto é a acessibilidade. É meme conhecido no Brasil o "frete grátis, exceto regiões Norte e Nordeste". Isso ganha proporções maiores numa cidade cuja única saída de carro para um centro é para Manaus (outro lugar péssimo), numa rodovia que todo ano precisa de reforma, numa viagem que dura em média 8-10h de carro e 10-12h de ônibus. Uma cidade cuja média de uma passagem aérea é R$ 2000 e com poucas opções de voo ainda. 

É sempre muito difícil e muito caro sair de Boa Vista. As coisas demoram pra chegar, o frete via de regra é mais caro que o produto, e sinto que muita gente ainda está presa na cidade justamente porque é bem difícil arranjar os recursos pra sair dela. 

Além disso, o isolamento leva Boa Vista e até mesmo Roraima a umas situações absurdas. As faltas de energia e água não são tão constantes, mas quando acontecem, se prepare para enfrentar o calor sem nada para ajudar. Nem adianta esperar pela noite, porque não vai ficar mais ameno. 

Uma outra forma que isso se manifesta na cidade são os péssimos serviços. Boa Vista é muito, muito ruim de serviço. Se você estiver precisando de algum conserto, uma impressão, um item pelo qual você quer pagar, ainda assim vai parecer que você está fazendo um favor para a pessoa. Isto é, quando a pessoa se dá ao luxo de lhe atender. Converse com qualquer um que mora em Boa Vista e todo mundo vai ter uma história de como queria pagar caro pra resolver um problema e ainda assim o prestador de serviço o deixou na mão. A impressão que dá é que o povo não quer ganhar dinheiro.

Outra coisa: antes da Starlink, quando caía a internet, caía no estado de Roraima inteiro. Não estou exagerando. Há somente um provedor de fibra ótica (Oi) e quando rompe um fio, o estado inteiro fica sem internet, até as redes móveis param de funcionar. Quem depende da internet pra trabalhar nunca vai conseguir ter paz ou tranquilidade, porque é sempre instável.

O terceiro ponto me é mais particular e diz respeito ao baixo acesso às artes. Por mais que tenhamos um bom teatro e uma orquestra que toca com alguma frequência, ainda são bem poucos os movimentos artísticos em geral (pelo menos se comparados com as outras cidades da nossa lista). Não se tem uma cultura de saraus, os leitores são poucos, e a arte predominante na cidade são os forrós e sertanejos (e nem são os raízes, mas os de pior qualidade). 

Pra quem é criativo, isso vai definhando a gente devagar, sabe? Vai esvaindo da gente a vontade de criar, de fazer, porque sabe que o projeto não vai prosperar, por mais que você se dedique. É só pra deixar claro, está tudo bem a população não gostar disso, ok? Ninguém é obrigado a preferir Tchaikovsky ao Remela de Gato. É só que, pra mim, isso pesa muito.

Amanhecer quente típico de Boa Vista

#Conclusão


Em suma, Boa Vista é uma cidade boa para se morar? Olha, em partes sim, em outras absolutamente não. Se você não se importar com o clima, acho que vai gostar muito daqui. É uma realidade de capital que nenhuma outra tem, parece de fato uma cidade do interior. Se conseguir morar num lugar bom (como eu consegui — falarei sobre isso no próximo post), vai ter tudo perto e uma vida relativamente calma e tranquila. Mas se a calmaria prolongada for um problema, então já não posso recomendar.

De qualquer forma, deixo pra você decidir. Esse é só um dos lugares por onde estamos passando nessa jornada. Aliás, se quiser entender melhor por que estamos fazendo isso e quais cidades ainda estão no caminho, explico tudo no post de apresentação do projeto.

Vamos ali dar uma volta.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Orquestras do Brasil — Uma lista pessoal

Então, esse post não tem relação direta com a viagem, mas foi uma pesquisa que fiz porque é um assunto que me interessa. Conforme estava planejando a lista pesquisei as orquestras que pudesse haver nas cidades que compunham a lista inicialmente. Depois, acabei por incluir também conservatórios ou escolas de música de alguma relevância.

Quando concluí a pesquisa, percebi que talvez outras pessoas possam se beneficiar dessas informações, especialmente músicos e estudantes de música no Brasil, nem que fosse a título de curiosidade. 

Lembrando que essa não é uma lista exaustiva de orquestras do Brasil, mas uma lista pessoal que surgiu naturalmente da minha pesquisa por cidades específicas. Então antes de alguém dizer que é um absurdo eu não ter incluído a OSESP, ou a Sinfônica de Porto Alegre, foi simplesmente porque as cidades onde essas orquestras estão sediadas não entraram na minha lista. 

Ok, é isso. Então aqui vai uma lista de orquestras do Brasil que me chamaram a atenção, organizada por cidades e regiões. 

(Obs. 1: a lista tenta seguir uma ordem geográfica, do mais ao norte para o mais ao sul. Não garanto nada.
Obs. 2: todos os títulos são links, só clicar em cima pra saber mais sobre a orquestra.)

Concerto sinfônico ilustrativo com orquestra, referência ao tema das orquestras no Brasil


#São Paulo
#Campinas
#Joinville
#Jaraguá do Sul Orquestra Filarmônica SCAR
#Blumenau

Importante dizer que só listei as orquestras que, de alguma forma, me chamaram a atenção, por motivos diversos. Não incluí orquestras de música popular ou de jazz. Embora essas me agradem (especialmente a última), penso que não sou o público-alvo delas. Ou seja, essas cidades não têm só essas orquestras, pode ser que tenham mais — porém foram essas que apareceram na minha busca ou de alguma forma me chamaram a atenção.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

E os custos? — A tabela

Pois é, essa história de viajar sempre tem um grande problema... a grana! Quem dera a gente pudesse sempre viajar à hora que quisesse, não é? Vamos ali tomar um sorvete na Itália? Quem sabe assistir um filme nos Estados Unidos? Ou jogar uma partida de xadrez na Suíça? 
Antes fosse tão simples.

Nesse post vamos discutir um pouco sobre os custos de modo geral e qual será nossa abordagem para pesquisar e registrar custos de vida durante nossas visitas às diferentes cidades. Vamos lá.

#Os custos da mudança

Sobre os custos da viagem e da mudança em si, temos aí três gastos principais: passagem de avião, envio do carro na cegonha e a transição entre uma casa e outra. Vou explicar.

Sobre a passagem de avião, já começa complicado porque sou violoncelista. Então nossa passagem foi mais cara que o normal porque tive que comprar um assento pro violoncelo — antes que me julguem, quero ver quem tem a coragem de despachar no bagageiro do avião um instrumento de R$ 9000 e confiar nas companhias aéreas do Brasil.

Daí, uma passagem que já não seria barata ficou ainda mais cara. A princípio, gastamos R$ 5000 para os três assentos no avião. Só que, na verdade, nós compramos essa passagem com muita, muita antecedência, sem nem saber direito qual a verdadeira data em que partiríamos. No fim das contas, acabou que não valeria a pena mudar a data da viagem, senão pagaríamos o preço de uma nova passagem! Findou que deixamos a partida para 03/01/26 mesmo.

Quanto à cegonha, nós já tínhamos um dinheiro economizado só para esse fim (taí a vantagem de planejar com mais de um ano de antecedência), mas acabou saindo menos do que pensávamos. O traslado do carro de Boa Vista/RR até Brasília/DF ficou R$ 3.678, com prazo de entrega entre 30 e 45 dias. Entendemos que esse é um valor importante a se considerar para quem está pensando em se mudar de cidade.

Por fim, ficam os custos de transição. É que colocamos nossa casa para alugar. Então a partir do momento em que ela foi alugada, precisamos desocupar o espaço, até porque a imobiliária vai repintar e fazer uma limpeza geral antes de entregar para o novo inquilino. Só que nesse meio tempo temos que ficar em algum lugar! Por diversos motivos, optamos por ficar num Airbnb em Boa Vista/RR mesmo, para que pudéssemos finalizar os preparativos com calma. Aí houve mais um custo de uns R$ 1.000.

Se a gente somar esses custos todos, fica um valor absurdo, né? Quem diabos tem esse tanto de grana pra gastar de uma vez só? Minha gente, e se eu falar que nem nós temos? Não quero dizer que estamos sendo irresponsáveis financeiramente, mas é que a alma de todo grande plano é o planejamento

Desde que decidimos encarar essa jornada, começamos a projetar valores e criar meios para guardar um pouquinho todo mês para atingir esse objetivo. Um pouco de planejamento financeiro é capaz de levar a gente a lugares e a fazer coisas que muitos ao nosso redor julgam impossíveis. O segredo não é fazer tudo de uma vez, mas fazer um pouquinho sempre.

#Tabela de preços


Tendo conversado sobre os custos do processo de mudança, vamos então à tabela de preços das coisas.

Esta tabela será a espinha dorsal de todos os registros financeiros do blog. Enquanto ela não vai traduzir as impressões e opiniões que temos de cada lugar, ela vai servir para termos uma boa noção de preços, valores, números e mais números que podem ser úteis na hora de tomar uma decisão.

A tabela será atualizada no fim de cada estadia e vai refletir a nossa vivência no lugar — fazê-la apenas no fim de cada mês é melhor porque assim temos uma noção mais geral (podemos tentar criar uma média contando com promoções que encontramos ou lugares mais em conta, etc., mas não vou garantir).

Um outro adendo importante é que talvez alguém veja essa tabela e diga algo como "Não sei onde eles conseguiram comprar por esse preço!" ou então "Mas aí tá caro, eu compro bem mais barato". Acontece que aqui nós não fazemos "rancho", mas vamos catando promoções ao longo do mês. Dessa forma, sempre tentamos comprar pelo preço mais baixo — fazendo inclusive o cálculo do custo-benefício do deslocamento para a compra.

De qualquer forma, a tabela vai registrar preços e valores de coisas que são parte da nossa realidade, itens que nós consumimos ou que impactam em alguma forma no nosso estilo de vida. Ressalto isso porque talvez alguns leitores achem a tabela incompleta ou com itens que não são relevantes. Mas esta é a tabela que reflete a nossa vida e viagem, vale considerar que cada um tem sua própria realidade.


Conceito visual de organização e tabela de preços para custo de vida.

Enfim, este é o plano. Compartilho essas informações porque creio que elas poderão ser de muita valia para outras pessoas. Inclusive, recomendaria até salvar essa tabela nos favoritos ou revisitar essa página de vez em quando para ver as atualizações (eu vou lembrar nos posts também, claro). 

Que Deus nos ajude a ajudar outras pessoas com as bênçãos que Ele tem derramado sobre nós.  

Para onde vamos? — A lista

Fizemos um bocado de pesquisa. Quais cidades nos interessariam? E por quê? Quais são os critérios que nos fizeram colocar uma cidade na lista? Ou qual critério nos fez tirar uma? Neste post vou explorar nossa lista e como chegamos nela. No final farei um adendo sobre cidades de modo geral.

#A lista

A lista hoje é: Brasília, Belo Horizonte, São José dos Campos, Curitiba, Joinville, Bento Gonçalves.

Mapa simbolizando as cidades que estamos considerando para mudar de cidade no Brasil.

#Os critérios

O que nos levou a escolher essas cidades? E por que não cidade "X" ou "Y"? Bom, são basicamente quatro critérios:
  1. Ter uma boa Igreja Presbiteriana do Brasil.

    Pra ser honesto, o que mais torna penosa essa viagem, é ter que abrir mão da Segunda Igreja Presbiteriana de Boa Vista. Foi onde crescemos, onde tenho amigos mais que chegados que irmãos, amparo e suporte espiritual pautados na boa Palavra. E como sou membro da Igreja Presbiteriana do Brasil desde os 5 anos de idade, não faria sentido ir para outra denominação.

    Se for pra se mudar para outro lugar, o mínimo que esse lugar tem que ter é uma boa igreja. Se chegarmos lá e não encontrarmos, por melhor que seja a cidade, ela será excluída da lista. Esse critério é inegociável.

  2. Clima

    Um olhar atento à nossa lista vai revelar que não temos nenhuma cidade do Norte ou Nordeste. A nossa filosofia é a seguinte: "Quente por quente, ficamos em Boa Vista, que pelo menos aqui já conhecemos tudo." Não faz sentido pra gente fugir do clima quente e encontrar outro. Além disso, não somos de praia, nem de turismo ecológico, somos de quietude e climas agradáveis. Comentarei em outro post como o clima de Boa Vista tem nos limitado e nos feito pensar numa mudança.

    Vale ressaltar que também não estamos à procura de extremos. Pra gente não faz sentido também ir para um lugar tão frio que seremos maltratados pelo clima do mesmo modo. A questão é somente quanto frio poderemos suportar e quais condições as cidades nos oferecem para que o clima ameno possa ser suportado.
     
  3. Conectividade

    Já pensou morar numa cidade onde basta pegar um voo e você pode estar em qualquer lugar do país sem precisar fazer longas escalas ou ficar limitado a poucos voos disponíveis? Já pensou morar num lugar onde basta pegar o carro e em poucas horas você está em outro lugar interessante de se visitar? Ou pegar um ônibus que não custe metade do valor de uma passagem de avião? Ou mesmo uma passagem de avião a um preço decente?

    Não sei se isso será possível, mas não custa sonhar. E isso pesa um pouco na nossa análise.

  4. Acesso às artes

    Quando vocês verem o post sobre Boa Vista, verão que muitos dos pontos aqui vão se repetir. Este último pesa mais pra mim do que pra Laryssa, claro. 

    É que gostaria de ter um lugar onde houvesse opções de diferentes artes. Visitar um museu, sabe? Ver uma exposição numa galeria, participar de um sarau, ouvir uma orquestra, ou mesmo um artista local indie. 

    O problema é que já experimentei morar num lugar assim antes, e eu sei que é possível. Um artista que não tem acesso à arte encolhe, definha, vai morrendo devagar. Sei que soa como exagero, mas tenho certeza de que todo artista que estiver lendo isso vai concordar. Por isso, gostaria muito de morar em um lugar com acesso às artes.

#A pesquisa

Com esses critérios em mente, olhamos para o mapa do Brasil e começamos a ver quais cidades poderiam nos atender. A lista em determinado momento teve 20 considerações, das mais diversas possíveis. 

Algumas cidades não entraram porque não vimos boas IPBs, pelo menos na nossa pesquisa inicial. Outras, porque eram turísticas demais (então os preços, já viu, né?). Várias foram cortadas porque nos pareceram pequenas demais, onde não teríamos a conectividade e acesso às artes que buscamos. Outras, por outro lado, já foram cortadas por serem grandes demais. Não queremos uma megalópole onde vamos ficar 2 horas no trânsito todos os dias, precisamos de um meio-termo. Na verdade, a Laryssa resumiu muito bem: "Tu quer mesmo é uma Boa Vista, mas nesses critérios aí!" Não tive escolha senão olhar para ela com surpresa e reconhecer: "É mesmo!"

Consideramos várias cidades no processo. Só pra ter uma ideia, estiveram na lista em algum momento: Campinas/SP, Vila Velha/ES, Juiz de Fora/MG, Jaraguá do Sul/SC, entre muitas outras no interior de São Paulo. No final ficamos com essas aí da lista oficial. 


#"X" é boa para se morar?


Conforme nossa viagem se desenrolar, esta será a pergunta essencial deste blog: cidade tal é boa para morar? Precisamos falar sobre isso, porque a resposta sempre vai ser: depende. Tenho uma tia que adora Americana, em São Paulo. Tenho um primo (filho desta mesma tia) que odeia Americana. Ué? Americana é boa para morar ou não, afinal? Depende. 

Depende dos seus objetivos, do que você procura numa cidade. Tem gente que odeia o agito da cidade grande e não vê a hora de se mudar para uma cidade pequena e pacata. Tem gente que odeia a calmaria da cidade pequena e não vê a hora de morar numa cidade grande. Ambas têm seus prós e contras, depende mais do objetivo do indivíduo do que da cidade em si.

Isso tudo para dizer que talvez eu venha a escrever algo aqui que incomode moradores da cidade, ou mesmo gente que já visitou o lugar e se sinta tentada a dizer: "Nada a ver isso aí que ele tá falando, cidade tal não é assim, ele que não conhece o lugar." Pode ser verdade? De acordo com a experiência daquela pessoa, pode. Mas não conseguimos viver a vida dos outros, só temos a nossa. Logo, nossas experiências são o guia que temos para tomar decisões, querendo ou não. 

Por isso, após a visita a uma cidade, a conclusão a que eu chegar será apenas um reflexo da nossa experiência. Não precisa ser da sua, que talvez tenha sido completamente diferente no mesmo lugar que formos. Não obstante, tentarei trazer todos os motivos e uma explicação para dizer se uma cidade é boa para morar ou não. 

Vamos ver o que vem por aí!
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